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Today, people have to work too hard to find what they want online, sifting through and steering clear of content, clutter and click-bait not worthy of thei

continuação/ramo da discussão iniciada em: https://mastodon.com.br/@lpslucasps/107065556733991431

@lpslucasps
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Vou aproveitar para deixar mais criteriosos alguns pontos, termos e conceitos que usei de forma meio desorganizada ou contraditórias no mastodon:

  1. Eu faço uma pequena diferenciação entre software livre e o movimento de software livre. O software livre como prática e artefato cultural se refere ao software que o usuário pode distribuir e modificar sem ou com mínimas restrições. Essas práticas eram vistas como direitos implícitos pelos que a compartilhavam e, dentro do contexto acadêmico e público em que a computação se desenvolveu, eram bem comuns e anteriores à comercialização em massa de hardware e software. Claro, mesmo nesse contexto antigo (estamos falando dos 60/70) já havia contextos em que essas liberdades não existiam - como nos projetos militares de computação. Mas, por sua própria natureza, esses projetos não eram públicos. Como prática pública, o que predominava na computação eram essas liberdades, vistas como direitos implícitos por seus participantes.

  2. O movimento de software livre surge justamente quando esses “direitos implícitos” começam a ser disputados - sem surpresas, por motivações econômicas. É então que conceitos como software livre, código aberto, código fechado, etc, começam a ser formalizados. Como bem colocou o @cevado@cevado@mandacaru.caatinga.digital, não dá para falar de código aberto sem código fechado - mas faço o adendo de que só dá para fechar o que antes não tinha trancas.

  3. O que quero dizer com “direitos implícitos”? Bem, como o nome deixa evidente, são práticas e liberdades que seus participantes não transformaram num direito formal, mas assumem que são garantidas e auto-evidentes… Quer dizer, até alguém gritar “truco!” e mostrar que não existem direitos garantidos e auto-evidentes. Algo que o capital já fez de novo, de novo e de novo no decorrer da história - basta ver o processo de cercamentos e o fim das propriedades comunais na Inglaterra, o contínuo enfraquecimento do domínio público ou o cerceamento do direito à privacidade (que não é um direito formal em muitas legislações e só recentemente foi formalizado no Brasil, por exemplo).

Линколн
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e metendo um Foucault aqui: se pensarmos em antes existir softwares sendo compartilhados livremente, esse livremente também se refere a um grupo muito específico de pessoas, apesar dos esforços de Saymour Parpet com a linguagem Logo e o ensino de programação para crianças ainda nos anos 60/70 nunca houve uma popularização de fato de conhecimentos ligados à tecnologia, hoje vemos popularização de produtos e popularização de termos, o conhecimento continua preso a um pequeno grupo

Линколн
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29M

vou responder aqui o que Arles disse: “Desculpa eu me meter… a Mozilla é uma empresa/fundação capitalista. Suas escolhas não fogem à esta lógica. Tem inspirações mais libertas e menos orgânicas em relação ao Capital, mas não deixa de ser uma organização dele. Dito isto, e considerando um contexto pré-revolucionário, é o que temos pra hoje. Só dela considerar a propaganda “in context” no lugar da por dados de usuário (se for esse o caso), eu já consideraria um ganho.”

tem umas coisas que não dá para fugr, especialmente a questão de como sobreviver, softwares como o kernel Linux ou o Firefox demandam uma estrutura que não tem como ser mantida só com recursos de voluntários, basta ver o nível de desenvolvimento do kernel GNU e o do kernel Linux, hoje só usamos o Android por causa da Google metida no desenvolvimento do Linux, e isso não é algo necessariamente bom ou ruim, tem um embate entre as necessidades de sobrevivência num mundo capitalista e questões políticas e ideológicas

Arles
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29M

Pois é. É o que temos pra hoje. Mas isso não pode nos tornar comodistas, no meu entendimento. Precisamos criar as condições necessárias para que essa lógica, muitas vezes perversa, não se perpetue. Sempre pensar, seja no uso das aplicações, seja na sua construção, como podemos contribuir para um processo de verdadeira revolução desses princípios capitalistas. No mais, o open source e mesmo a cultura do software livre (a segunda menos do que a primeira) estão muito bem adaptadas ao Capital. Este, de alguma forma, já soube como extrair mais-valia do processo de construção coletiva e mesmo daquilo sobre licenças livres.

Линколн
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39M

tu entrou numa questão importante que é “o que dá para fazer?” no momento temos uma forte crise ligada à publicidade que é o principal meio de arrecadação de empresas. há uma debate antigo sobre ética e publicidade/propaganda, vejo que esse debate tá se renovando mas com um caráter um tanto quanto distópico, encontrar outros modelos de publicidade é um movimento natural nesse contexto mas para considerar a ética de qualquer modelo, vejo também necessidade de haver transparência e políticas muito claras quanto a isso, se possível até mesmo alguma padronização ou regulamentação em último caso

sobre essa questão de mais-valia, escrevi um texto enoooooorme sobre isso (embora eu não tenha citado mais-valia para não assustar o pessoal de tecnologia que ainda não entendeu do que se trata): https://writefreely.public.cat/fractaloid/uma-perspectiva-materialista-sobre-o-sentido-do-trabalho-em-tecnologia

@lpslucasps
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39M

Creio que uma das coisas que podemos fazer é justamente questionar e desconstruir as bases epistemológicas - bases estas que, via de regra, são conservadoras-liberais, mesmo quando falamos de movimentos de contra-cultura, que é o caso do software livre.

Um exemplo claro para mim são as licenças permissivas como BSD e MIT. Se a primeira vista elas são inocentes e até benéficas, elas permitem que grandes corporações explorem o trabalho coletivo sem limitações e sem qualquer compromisso de “retribuir” para a comunidade. Dentro da lógica liberal e capitalista isso faz completo sentido, não só pela enorme removedadice de “empresas são nossas amigas!”, mas principalmente por causa do princípio epistemológico por trás dessas ideologias de que, no mercado, todos agem de boa-fé e aqueles que agem de má-fé são punidos - algo que você nem precisa ser comunista ou socialista para saber que é loucura.

(inclusive, foi por serem pessoalmente fodidos por empresas e terem que lidar em primeira mão com a má-fé corporativa que Stallman e Lessig criaram licenças copyleft como GPL e Creative Commons. Ambos ainda pensam dentro de uma epísteme liberal, mas com um temperinho de sentimento anti-corporações que deu bons frutos)

Arles
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39M

Vou ler com calma o texto…

Mas chamo a atenção para a questão de não se acomodar… hoje eu já não sou tão “radical” quanto ao uso de tecnologias não-livres. Isso com perdas e ganhos. Mas é necessário sempre manter a reflexão sobre qual destino queremos para as nossas construções coletivas.

Se é socialista, anarquista, anarco-sindicalista, comunista, e outras nomenclaturas de esquerda, seja bem vindo!

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